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Burnout: os perigos do excesso de trabalho

Os brasileiros são a segunda população mais estressada do mundo, com 30% das pessoas economicamente ativas sofrendo de burnout, distúrbio que leva ao esgotamento físico e mental, segundo dados da ISMA-BR (International Stress Management Association).

A primeira é a do Japão, com 70%. O ranking ainda traz a China, com 24%; os EUA, com 20%; e a Alemanha, com 17%. A pressão por entregar resultados está entre os maiores desencadeadores do problema.

Em outro estudo, do Instituto Gallup (Relatório Global de Emoções de 2019), que mediu os níveis de estresse em 143 países, mais de um terço dos participantes disse ter sofrido “muito estresse” no dia anterior à realização da análise. Segundo os pesquisadores, as crises econômicas são um motivo de impacto negativo no ânimo dos trabalhadores avaliados.

Entre os problemas que podem acometer quem trabalha excessivamente estão os causados por má postura, falta de atividade física e de sono de qualidade e alimentação deficiente.

Há também prejuízo sobre as emoções, que podem desencadear aumento da pressão arterial e levar a distúrbios cardíacos, respiratórios, dermatológicos e psicossomáticos.

“O estresse gerado pela necessidade de produzir sempre mais e melhor, para garantir o emprego ou fazer virar um projeto individual, é um risco quando os sintomas físicos e psicológicos começam a aparecer mesmo sem a presença do estímulo”, afirma a psicóloga Flavia Passos Viana.

Quando isso acontece, o organismo passa a interpretar o mundo externo e seus acontecimentos como um perigo constante. “Saímos da fase de alerta, que é normal e desejável frente aos desafios, para a de resistência ao estresse, com os primeiros sintomas físicos”, diz Flavia.

Os sinais mais comuns são dores de cabeça, musculares e no estômago, fadiga e baixa libido, que surgem com frequência. “Se não tratados em sua origem, levarão a uma piora do quadro, chegando à fase de exaustão”, afirma Flavia.

Mas não é tão simples reconhecer os sintomas e a gravidade da situação quando você está nela. Se desconfiar que sofre com o excesso de estresse, procure conversar com alguém de sua confiança e verificar se tem mudado comportamentos – por exemplo, ficando mais agressivo e mal-humorado em situações corriqueiras.

“Não tenha vergonha de solicitar auxílio em questões práticas, como em orientações para organizar melhor os prazos de suas entregas, delegar mais, otimizar tempo e processos”, afirma Luciana Tegon, headhunter e master coach na Consultants Group.

“E, se notar que seu colega está exagerando na dedicação e que isso afeta a saúde dele, dê apoio. Uma boa conversa, iniciando por deixar claro o quanto você se preocupa, fará grande efeito”, diz Luciana. “Possivelmente, a pessoa já percebeu que algo não vai bem, e, sendo encorajada a buscar uma saída ou até ajuda profissional, terá motivação extra para enfrentar o problema.”

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Covid-19: os impactos da redução de salário e da suspensão de contrato

Desde abril de 2020, com a MP 936, e agora na vigência da Lei 14.020/2020, empresas e empregados podem acordar a suspensão do contrato de trabalho e a redução de jornada e salários durante o período de calamidade causado pela pandemia de Covid-19. O Governo assegura o pagamento do Benefício Emergencial para complementar a renda do empregado.

O valor mensal do Benefício Emergencial é variável, calculado sobre o valor mensal do seguro desemprego e a empresa pode pagar ajuda compensatória mensal ao empregado. Na prática, somados todos os valores pagos pela empresa e pelo Governo, é bastante comum que a renda mensal total do empregado acabe reduzida neste período.

A lei não prevê as consequências da redução de jornada e salário ou suspensão do contrato de trabalho nos benefícios de férias e décimo terceiro salário. Por se tratar de situação atípica, vinculada ao momento da pandemia, a solução para tal lacuna da lei dependerá de decisão pelo Poder Judiciário no futuro.

De toda forma, com base nas regras gerais sobre férias e décimo terceiro salário, é possível antecipar alguns argumentos que certamente serão submetidos à análise dos juízes trabalhistas.

No caso de suspensão do contrato, em que não há prestação de serviços, é possível buscar o enquadramento da situação nos artigos 1º do Decreto 57.155/65 e 1º, parágrafo 1º da Lei 4.090/62, que vinculam o cálculo do décimo terceiro aos meses trabalhados. Nesse caso, o empregado que teve o contrato de trabalho suspenso por 180 dias durante o ano de 2020, por exemplo, receberia apenas 50% do seu décimo terceiro salário no final do ano.

Já as férias, são devidas a cada 12 meses de vigência do contrato de trabalho, sendo que a vinculação aos meses de serviço não é tão evidente na lei. O artigo 133 da CLT indica as situações em que o trabalhador não terá direito às férias, dentre as quais não está a suspensão nos termos da Lei 14.020/2020. Tal artigo exclui o direito a férias quando o empregado, no curso do período aquisitivo, usufruiu de licença, com recebimento de salários, por mais de 30 dias. No caso da suspensão nos termos da Lei 14.020/2020, porém, não há garantia de que o empregado receberá, necessariamente, o mesmo salário que receberia se estivesse trabalhando, principalmente para trabalhadores com salários acima do valor mensal do seguro-desemprego (hoje, parcela máxima de R$1.813,03).

No caso da redução de jornada e salários, tanto férias como décimo terceiro salário continuarão sendo devido, mas há dúvidas em relação ao impacto no valor de tais benefícios.

O valor das férias é calculado com base na remuneração que o empregado recebe na época de sua concessão. Mas, a lei ressalva os casos de salário pago por hora com jornadas variáveis, quando se deve considerar a média de horas do período aquisitivo das férias e aplicar o valor do salário na data da sua concessão. Por esta interpretação, o empregado também receberia valor menor de remuneração das férias relativas ao período aquisitivo em que houve a redução de jornada.

Para o décimo terceiro salário, a Lei 4.090/62 determina o seu pagamento com base na remuneração devida em dezembro, o que também pode impactar o valor do 13º salário do empregado cujo salário estiver reduzido em tal momento.

De todo modo, não é possível assegurar que o entendimento futuro dos juízes será feito dessa maneira. É absolutamente possível a interpretação de que se deve considerar o salário contratual devido ao empregado e não o salário efetivamente pago em razão da aplicação da redução excepcional prevista na Lei 14.020/2020. O salário efetivamente pago pelo empregador é complementado pelo benefício do Governo e a lei não determina se tal parcela paga pelo Governo se inclui, ou não, na definição de remuneração do empregado para fins de férias ou 13º salário.

Além disso, a falta de previsão da Lei 14.020/2020 permite muitos questionamentos. Tanto a suspensão do contrato quanto a redução de salários são medidas excepcionais no cenário trabalhista. Há a preocupação de que, não havendo autorização da lei para reduzir valores de férias e décimo terceiro salário, não se possa adotar interpretação prejudicial aos trabalhadores.

Ainda, o artigo 8º, parágrafo 2º da Lei 14.020/2020 tem previsão genérica de que, mesmo durante a suspensão do contrato, o empregado tem direito a todos os benefícios concedidos pela empresa aos seus empregados, demonstrando a intenção de não diminuir a renda do trabalhador exceto naquilo expressamente previsto na lei.


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Setembro Amarelo: burnout e o esgotamento físico e mental no trabalho

A relações-públicas Luiza Ramos tinha 26 anos e estava há dois sem tirar férias quando teve um esgotamento profissional. Deu uma pausa nas atividades e foi para a Bahia passar uns dias.  “Conheci pessoas com histórias de vida inspiradoras e diferentes, que não se preocuparam com o quanto eu ganhava, se eu tinha um cargo e sobrenome. Dancei, me diverti – percebi que tinha muita coisa para viver”, conta.

Quando voltou a São Paulo, teve uma crise no aeroporto. “Comecei a chorar. Parecia que eu não pertencia mais àquele lugar; não queria mais aquela rotina”, diz. A angústia continuou quando voltou ao trabalho. “Não me sentia empolgada, não conseguia entender como eu tinha conseguido passar os últimos seis anos da minha vida trancada em uma sala branca, com janelas que não abrem e uma temperatura regulada por um controle remoto.”

Outro ponto que contribuiu para seu esgotamento foi o fato de ter entrado muito cedo para a faculdade, com 17 anos. Aos 26, já tinha concluído a pós-graduação. “Acho que foi resultado também dessa cobrança que eu me impunha, de ser bem-sucedida na carreira tão cedo”, afirma.

A crise pela qual Luiza passou é chamada de síndrome de burnout, incluída na Classificação Internacional de Doenças (Cid-11), que irá vigorar a partir de janeiro de 2022.

Essa lista, elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), inclui doenças e outras condições de saúde, categoria na qual se encaixa a síndrome de burnout, no capítulo de “problemas associados” ao emprego ou ao desemprego. É descrita como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”. 

A condição foi documentada na década de 1970 e pode ser confundida com a depressão, já que os sintomas físicos e cognitivos são bem parecidos (veja mais detalhes ao fim desta reportagem). A diferença é sutil, e a principal é que o burnout se refere ao esgotamento físico e mental estritamente relacionado ao trabalho, explica José Gallucci Neto, diretor médico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Fora do trabalho, a pessoa funciona relativamente bem, mas, quando volta para esse ambiente, os sintomas retornam”, explica. 

Burnout x depressão

Apesar de ser uma condição menos grave do que a depressão, o burnout é preocupante o suficiente para justificar o tratamento e o afastamento das atividades profissionais, adverte Luiz Scocca, psiquiatra e médico colaborador pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Essa deve ser a abordagem inicial contra o problema, já que o trabalho é o agressor, o estressor que faz com que a pessoa adoeça.

Em seguida, é preciso um encaminhamento médico para checar se existe um quadro depressivo associado. “O burnout pode ser considerado um predecessor da depressão. Nem todas as pessoas em burnout estão deprimidas, mas são potenciais pacientes psiquiátricos”, diz João Silvestre Silva-Junior, professor de Medicina do Trabalho do Centro Universitário São Camilo

Luiza percebeu o risco que corria se continuasse no ambiente que estava causando seu esgotamento, e resolveu embarcar novamente para a Bahia, onde passou três meses trabalhando em um bar à beira da praia.

Ela conta que nunca pensou em largar tudo para sempre, mas achou que merecia e precisava se dar esse tempo. “Foi um reencontro comigo. Percebi que não quero mais ser essa pessoa estressada, que só trabalha e vive esgotada. Agora, cinco anos depois da crise, aprendi a ressignificar o trabalho e a relativizar os problemas corporativos”, afirma. 

Como identificar o problema

É importante que haja acompanhamento profissional, para fazer um diagnóstico, mas alguns sintomas podem ser identificados, segundo Ana Carolina Souza, neurocientista e sócia da Nêmesis, empresa de assessoria e educação corporativa na área de neurociência organizacional. 

  • Sensação de esgotamento físico e mental
  • Perda de interesse nas atividades de trabalho
  • Sentimentos negativos associados ao ambiente corporativo
  • Falta de motivação para ir trabalhar (muitas vezes, associada ao absenteísmo)
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Baixa autoestima
  • Dificuldade de concentração
  • Pessimismo
  • Dores de cabeça constantes
  • Fadiga
  • Palpitação
  • Pressão alta
  • Tensão muscular
  • Insônia
  • Problemas gastrintestinais
  • Gripes e resfriados recorrentes

Como prevenir

Algumas atitudes ajudam a administrar o estresse no trabalho e evitar que a rotina comprometa a saúde, segundo a coach Juliana Carelli, especializada em carreira e estilo de vida

* Aceite a vulnerabilidade e o fato de que nunca dará conta de tudo.

* Respeite os seus limites – e os dos outros. 

* Tenha uma rotina e faça constantemente ajustes nos seus planos, reorganizando objetivos e prioridades.

* Delegue mais.

* Limite o uso dos aparelhos eletrônicos e o envio e checagem de e-mails e mensagens fora do horário de trabalho.

* Cuida da sua qualidade de vida e incentive que os demais façam o mesmo, incluindo a prática de atividade física, uma alimentação saudável e o convívio com a família.

* Em vez de focar no que falta, valorize o que já foi feito.


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Misericuerdia! Entenda os ditongos em espanhol e aprenda a usá-los

Dos professores escutamos com frequência palavras como “nuerte” ao invés de norte”, “departamiento” ao invés de departamento” e aquela que virou até meme: “misericuerdia” ao invés de misericórdia”.

Em aula podemos dar uma boa risada ao descobrirmos que em espanhol norte é norte, departamento é departamento e misericórdia é… misericórdia, mas no trabalho pode não resultar tão engraçado assim.

Por isso, hoje aprenderemos alguns verbos que ao conjugar ganham aquela incompreendida junção IE: os famosos ditongos.

3 verbos que se conjugan con el diptongo IE

Vamos a comenzar desde el principio: ¿qué es un diptongo?

Un diptongo es cuando encontramos dos vocales juntas en una sola sílaba. Estas pueden ser IE en el caso de las palabras abierto, bien y caries o UE en el caso de suerte, puerta y cuenta.

jate en el siguiente texto e identifica los verbos con características de diptongo. Utilízalos para completar la tabla de conjugación.

Cuando me preguntan ¿qué tipo de lugar prefieres? Siempre respondo: aquel donde puedo estar tranquila. A veces quiero ir a la playa para escuchar el mar y quedarme en la arena tomando sol, pero en ocasiones prefiero el sosiego de una montaña, el silencio y un buen vino.

Creo que todo depende de cómo te sientes. Algunos quieren sol y piscina para poder pasear con los amigos y divertirse. Ya los que se sientens enamorados prefieren una cabaña, alejada de todo, para disfrutar a solas con su pareja.

Lo cierto es que independientemente del lugar que preferimos, siempre queremos y necesitamos un tiempo para disfrutar de nosotros mismos, nuestros amigos o una buena compañía.

 

PREFERIR

SENTIR

QUERER

Yo

 

Siento

 

 

 

Quieres

Él – ella

prefiere

 

Quiere

Nosotros

 

Sentimos

 

Vosotros

Preferís

Sentís

Queréis

Ellos – ellas

 

Sienten

 

 

¿cómo te fue? Fíjate que los verbos diptongados ganan un IE en todos los sujetos, MENOS en la primera persona del plural (nosotros) y en la segunda (vosotros) Así, en el caso de preferir, por ejemplo, decimos yo prefiero (conjugas con un IE después de la F) pero decimos también nosotros preferimos (perdió el IE después de la F).

Con ayuda del cuadro y de la explicación anterior completa las siguientes frases

  1. Yo siempre (preferir) _________________ la playa. Me gusta mucho el sol y la arena.,
  2. ¿(sentir) _________________ que necesitas un descanso?
  3. Estas vacaciones yo (querer) ________________ ir a una cabaña en la montaña, pero mi esposa (querer) ________________ visitar a sus padres.
  4. Nuestros hijos se (sentir) ___________________ muy felices cuando vamos a la casa de los abuelos.
  5. A pesar de todo nosotros (preferir) ______________ viajar solos.
  6. ¿Ustedes (preferir) _________________vino o cerveza?
  7. Nosotros (querer) ________________ un lugar tranquilo y sin ruido.
  8. ¿(querer) ________________ salir conmigo esta noche?
  9. Yo (sentir) ________________ que nunca me escuchas.
  10. ¿(querer) _________________ pescado o (preferir) ____________ pollo?

Respuestas:
1. Prefiero/ 2. Sientes/ 3. Quiero/ 4. Sienten/ 5. Preferimos/ 6. Prefieren/ 7. Queremos/ 8. Quieres/ 9. Siento/ 10. Quieres-prefieres

 

Diana Camacho é colombiana – orgulhosamente – e graduada em Comunicação Social e Jornalismo com ênfase em Opinião Pública. Atualmente está cursando um MBA em Gestão de Projetos na Universidade de São Paulo (USP) e trabalha com Media training e como professora de espanhol em empresas como a Companhia de Idiomas. Também desenvolve conteúdos escritos e audiovisuais para diferentes metodologias de ensino da língua espanhola. quer falar com ela? dianac.caneva@gmail.com


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Conheça a trajetória destes cinco cientistas brasileiros

Nos Estados Unidos, três em cada quatro jovens de até 24 anos não acreditam que a Terra é redonda. No Brasil, o IBGE descobriu que 11 milhões de habitantes — ou 7% da população — têm certeza de que o planeta é tão achatado quanto uma panqueca.

Esse é apenas um exemplo de algo que tem crescido no mundo nos últimos anos: a mobilização anticientífica. Os descrentes na ciência espalham fake news sobre o assunto, disseminam teorias conspiratórias e estimulam que ninguém se vacine. 

Mas, enquanto essas pessoas compartilham ideias que refutam comprovações científicas, o mundo foi acometido pela pandemia da covid-19, que evidenciou a importância da ciência para algo básico: a sobrevivência das população. Por isso nunca se falou tanto sobre o assunto. “A sociedade está vendo que a solução sairá das universidades, e a credibilidade da ciência está sendo levada em consideração”, diz Hamilton Varela, conselheiro do Instituto Questão de Ciência, que defende o uso de evidências científicas nas políticas públicas, e professor no Instituto de Química de São Carlos. 

Só que ser cientista no Brasil não é tão fácil. Além da descrença, a falta de gestão e de incentivo governamentais (com a interrupção de investimentos e a paralisação de pesquisas) torna a vida dos profissionais da área ainda mais complexa, não à toa muitos vão para o exterior. “Uma pesquisa interrompida não reinicia de onde parou. É um trabalho de anos jogado fora.

O problema é a falta de conhecimento sobre o método científico por quem está no poder”, diz Hamilton. Mateus Rockenbach, presidente da Associação Brasileira de Incentivo à Ciência (Abric), que promove a ciência entre jovens estudantes, complementa: “Não nos faltam recursos e capacitação técnica, e sim administração pública inteligente com olhar de longo prazo”.

Mesmo com tantos desafios, o país tem grandes cientistas — e, a seguir, alguns deles falam sobre suas trajetórias e explicam o que é preciso fazer para trilhar uma carreira na área.

A estudante 

Juliana Estradioto, de 20 anos, nem iniciou a faculdade, mas já tem um currículo de pesquisas de impressionar. Enquanto faz as malas para os Estados Unidos, onde ganhou bolsa para cursar engenharia química e biológica e um financiamento de pesquisas na Universidade Northwestern, ela dedica seu tempo a incentivar cientistas iniciantes. “Meu maior sonho é mostrar para os jovens que é possível fazer pesquisa desde cedo”, diz ela, que é diretora da Abric e uma das ­coordenadoras da Feira Brasileira de Jovens Cientistas.

Juliana Estradioto, de 20 anos, dedica seu tempo a incentivar cientistas iniciantes.Ilustração: Davi Augusto/VOCÊ S/A

Tudo começou quando Juliana cursava o ensino médio técnico em administração no Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Educação do Rio Grande do Sul (IFRS) e se inscreveu em um curso de extensão sobre aproveitamento de produtos. Ali entrou em contato com o método científico, se apaixonou e começou a se tornar pesquisadora. 

As descobertas de Juliana no ensino médio — um plástico biodegradável feito da casca do maracujá e um produto à base da semente da fruta que limpa efluentes têxteis das águas — foram premiadas na mais importante feira de ciências do mundo, a americana Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef).

No ano passado, ela foi a primeira brasileira a levar ouro na categoria Ciência dos Materiais, com o produto que criou e patenteou: um material biológico feito da casca da macadâmia que poderá ser utilizado como tecido para roupas e como pele e veias artificiais. “Uso a casca como alimento para micro-organismos e eles produzem um resíduo plástico.”

Além do reconhecimento, Juliana ganhará um asteroide com seu nome. “Sou a prova de que ser cientista é acessível. Não precisa ser um gênio, não”, diz ela, que é filha de professora de escola pública. “Por ver minha mãe passar dificuldade com seus alunos, sempre quis ser a melhor que pudesse ser. Então me esforcei.”

O matemático

Colecionador de descobertas e de prêmios, Artur Avila, de 41 anos, estuda sistemas dinâmicos e teoria espectral. Seu objetivo é encontrar soluções para problemas nunca antes desvendados.

Suas pesquisas lhe renderam, em 2014, a maior honraria de um matemático: a Medalha Fields, considerada a mais importante da área. “O papel dessas recompensas é trazer visibilidade fora do meio. No caso do Brasil, que tem poucos modelos de cientistas no imaginário da população, torna-se útil poder falar que um brasileiro ganhou um prêmio desses.”

Artur Avila, de 41 anos, estuda sistemas dinâmicos e teoria espectral.Ilustração: Davi Augusto/VOCÊ S/A

A trajetória do carioca como pesquisador começou aos 16 anos, quando ganhou a Olimpíada Internacional de Matemática e foi premiado com uma bolsa de estudos no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) — uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e ao Ministério da Educação (MEC) —, onde fez um mestrado, mesmo sem estar na universidade. “Desde pequeno quis ser cientista.

Mas tinha uma visão inexata da profissão. Por aptidão, fui me desenvolvendo na direção da matemática. Quando tive contato com o Impa foi um momento importante, porque percebi que existia a carreira de cientista matemático, o que se tornou meu objetivo.” 

Artur se formou na Universidade Federal do Rio de Janeiro aos 22 anos e, no fim do período letivo, defendeu sua tese de doutorado. Em seguida, mudou-se para Paris, onde realizou suas pesquisas para pós-doutorado no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) — e esse intercâmbio foi essencial para sua carreira.

“Como cientista é muito importante atuar em outras culturas. Em Paris, eu estava com pessoas com interesses ligeiramente diferentes dos meus, que começaram a me instigar a olhar de outras formas e a expandir meu olhar”, diz ele, que dividiu sua atuação entre o Impa e a instituição francesa nos anos seguintes. Em 2008, aos 29 anos, tornou-se o diretor de pesquisas do CNRS — o mais jovem a ocupar o cargo.

Há dois anos, Artur compartilha seus conhecimentos como professor titular na Universidade de Zurique, na Suíça, onde mora atualmente. Mas ele continua dedicando parte de seu tempo às pesquisas brasileiras, com o pessoal do Impa e da Universidade de São Paulo. “No Brasil, há dificuldades como as crises acumuladas e a instabilidade política.

No enquanto, existe um potencial de crescimento, de desenvolvimento do conhecimento acadêmico e a oportunidade para uma carreira científica. É diferente da Europa, onde há até saturação de pesquisadores nas universidades.” 

A ecologista

Embora gostasse de ciências, a falta de conhecimento sobre a área levou Edenise Garcia, de 52 anos, por um caminho um pouco mais tortuoso. Formada em letras e em jornalismo, ambas pela Universidade de São Paulo, iniciou sua trajetória como repórter da revista VEJA (do Grupo Abril), onde ficou por dois anos. Mas o dia a dia dentro da redação evidenciou a saudade que ela sentia da natureza.

Por isso, voltou aos bancos da USP para cursar biologia com ênfase em ecologia. Aí ela se encontrou. “Notei que queria seguir como pesquisadora quando percebi que havia estudado 60 créditos enquanto apenas 24 eram obrigatórios.”

Edenise Garcia, de 52 anos, voltou ao Brasil para fazer parte da equipe da The Nature Conservancy Brasil (TNC), organização não governamental que cuida da conservação do meio ambiente.Ilustração: Davi Augusto/VOCÊ S/A

Recém-formada, disputou e conquistou uma bolsa para fazer mestrado em ecologia aquática na Universidade de Montreal, no Canadá, onde emendou o doutorado.

Em 2006, foi trabalhar na Organização Mundial da Saúde, em Genebra (Suí­ça), como conselheira em temas relacionados a contaminantes ambientais. Em seguida, recebeu uma bolsa para participar de um programa sobre mudanças climáticas e uso da terra na Brown University (em Rhode Island, nos Estados Unidos), e pôde ouvir palestras de um dos grandes expoentes do tema: Al Gore, ex-vice-presidente americano. 

Após o programa, Edenise tinha duas opções: trabalhar no Ártico ou na Amazônia. “A escolha foi difícil, mas minha paixão de infância pela Amazônia acabou predominando.” Assim, em 2008 a cientista voltou ao Brasil para fazer parte da equipe da The Nature Conservancy Brasil (TNC), organização não governamental que cuida da conservação do meio ambiente.

Hoje, ela é diretora de ciên­cias da instituição e mora em Belém (PA), de onde coordena a equipe de ciências do Programa Amazônia. Seu enfoque é fazer análises do desmatamento, buscar por alternativas sustentáveis de uso da terra e pesquisar sobre a mudança climática na floresta. “Em meio a esta imensidão, me sinto tão pequena e ao mesmo tempo me pergunto: ‘Como parar tanto estrago?’.” Para quem quer atuar­ em ciências, a dica de Edenise é não ficar parado. “Não perca oportunidades, esteja sempre atento. Aplicar-se para bolsas é o segredo.”

O físico

Físico e astrônomo, Marcelo Gleiser, de 61 anos, ganhou projeção internacional fora dos muros das universidades. Isso aconteceu graças a duas frentes: a aparição em programas de TV veiculados nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil (onde a série Poeira das Estrelas, exibida no Fantástico em 2006, foi um sucesso); e a autoria de oito livros publicados em diversos idiomas.

“Cresci numa família com uma boa biblioteca. Aos 13 anos, lia Edgar Allan Poe e Fernando Pessoa. E consegui unir meus interesses pelas questões humanas e as ciências.” Sua atuação em cosmologia, astrobiologia e teorias complexas e seu incentivo para que se escutem diferentes pontos de vista fizeram com que Marcelo recebesse, no ano passado, o Prêmio Templeton, descrito como o Nobel do diálogo entre ciência e espiritualidade. 

Físico e astrônomo, Marcelo Gleiser, de 61 anos, ganhou projeção internacional fora dos muros das universidades.Ilustração: Davi Augusto/VOCÊ S/A

Mas a vida de Marcelo só tomou esse caminho porque ele contrariou o desejo do pai, que queria um filho engenheiro químico. Dois anos depois de iniciar engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele transferiu o curso para o de física na PUC.

“Meu pai não bancou e tive que me virar para realizar meu sonho. Não era o tipo que tirava só nota dez, mas tinha o espírito de guerreiro e de não desistir.” Com mestrado pela UFRJ e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia e pelo Fermi National Accelerator Laboratory (um dos mais importantes laboratórios de física de partículas do mundo), Marcelo é professor no americano Dartmouth College desde 1991, onde leciona física, astronomia e filosofia natural. 

Seu projeto mais recente se conecta com o propósito de levar a ciência para todos. Por meio de um canal no YouTube batizado com seu nome, Marcelo quer compartilhar gratuitamente conteúdo de alto nível.

Para começar, está produzindo o curso Física para Poetas, baseado em seu livro A Dança do Universo (Companhia de Bolso, 29,90 reais). Serão 20 aulas sobre os questionamentos da humanidade a respeito da criação do Universo, mostrando, de forma cronológica, a relação entre ciência, filosofia e religião. “O Brasil está censurando a ciência e cortando bolsas. Quando eu vejo essa juventude cheia de energia sem chance de contribuir como cientista, sinto que posso ajudar. Minha sala de aula é o mundo. Tenho o dever moral de dividir o máximo que posso.”

A bióloga

O ceticismo científico, prática que estimula que as ideias científicas devam ser testadas e questionadas antes de se tornarem públicas, é um dos temas mais caros à bióloga Natália Pasternak, de 44 anos.

Natália Pasternak, de 44 anos, é uma das fundadoras e diretora presidente do Instituto Questão de Ciência.Ilustração: Davi Augusto/VOCÊ S/A

Formada em ciências biológicas pela Universidade de São Paulo e Ph.D. com pós-doutorado em Microbiologia pela mesma instituição, Natália é uma das fundadoras e diretora presidente do Instituto Questão de Ciência, órgão pioneiro na promoção do pensamento crítico e na defesa de políticas públicas baseadas na ciência por meio do site iqc.org.br.

A paulistana ganhou notoriedade quando foi uma das primeiras a questionar o uso sem evidências científicas da cloroquina para o tratamento da covid-19. Ela já tinha sido uma das cientistas que levantou a bandeira de alerta no episódio da “pílula do câncer” (fosfoetanolamina sintética), em 2016, e refuta qualquer sugestão que seja feita sem comprovação científica. “Essa é a minha missão.”

Filha de professores universitários, Natália sempre teve certeza da carreira acadêmica. “Eu me apaixonei na aula de genética na faculdade e sabia que a pesquisa era o caminho.” Mas foi depois de se tornar mãe que ela sentiu o chamado para disseminar a ciência. Tudo aconteceu quando surgiu o movimento antivacina no grupo de WhatsApp das mães da escola.

“Eu me empolguei e comecei a explanar vários assuntos até que fui expulsa do grupo. Percebi que não era tão fácil assim fazer divulgação científica. Ciência não é um prato pronto. Você tem que ensinar a ter um raciocínio crítico, um processo de investigação.” 

Foi então que ela criou o blog Café na Bancada e passou a ser reconhecida e convidada a ser colunista de publicações especializadas. Natália foi diretora no Brasil do festival internacional de divulgação científica Pint of Science: Um Brinde à Ciên­cia, coordenando palestras em 85 cidades, e também é autora do livro Ciência no Cotidiano (Contexto, 35 reais). “Existe a necessidade de um trabalho de divulgação para a sociedade para que as pessoas valorizem o trabalho dos cientistas.” 


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Você sabe a diferença entre “aparte” e “à parte”?

00Nos dicionários da nossa Língua Portuguesa, um aparte – substantivo masculino – representa uma interrupção feita a qualquer pessoa durante uma conversa. Em uma construção:

“Durante o discurso do palestrante, o aluno pediu um aparte.”

De acordo com o Aulete, aparte é palavra ou frase com que se interrompe quem fala durante um discurso formal ou uma conversa, ou que a própria pessoa introduz como esclarecimento ou adendo.

Já a expressão “à parte” significa “separadamente”, “isoladamente”. Por ser uma locução adverbial iniciada por “a”, apontando o modo como algo é desenvolvido, o acento grave deve existir:

“Modéstia à parte, sempre desenvolvi bons cálculos.”

“Deixava à parte adjetivos preciosos.”

“Escrevemos à parte alguns nomes.”

A sangue-frio

Apesar de ser um detalhe, um hífen muda todo o sentido. Em “sangue-frio”, o termo não significa “sangue gelado”, mas “autocontrole”. Se você ainda não sabia, anote: a expressão hifenizada “sangue-frio” tem o sentido de “autocontrole”, “tranquilidade”, “frieza”.

Além disso, diante de palavras masculinas (as quais não representem a ideia de moda, maneira, cultura, estilo) não ocorre crase, ou seja, o “a” não deve ser grafado com o acento grave. Na prática, o uso adequado:

“A sangue-frio, redigiu o último e-mail naquela empresa.”

Para finalizar, não tema o plural desse substantivo composto: sangues-frios. É isto: sangue-frio, sangues-frios.

Um grande abraço, até a próxima e inscreva-se no meu canal!

 

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Cuidado essencial: descubra o que faz um gerontólogo

O Brasil ultrapassa em 28 milhões a população com 60 anos ou mais. E, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número deve aumentar nas próximas décadas. Em 2043, um quarto dos brasileiros deverá ter mais de 60 anos e, até 2060, a quantidade de pessoas com 80 anos ou mais deve somar 19 milhões.

O alto índice de envelhecimento alavancou a procura pelos gerontólogos. Diferentemente da geriatria, que trabalha com a prevenção e o tratamento de doenças, a gerontologia estuda o processo de envelhecimento, buscando melhorar a qualidade de vida dos idosos

“Essa é uma profissão que não envolve apenas a área da saúde. O gerontólogo precisa estar atento às necessidades físicas, emocionais e sociais durante o envelhecimento. Ou seja, envolve políticas públicas, além de questões econômicas e culturais”, afirma Vania Herédia, presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

A carreira ainda está ganhando espaço no mercado brasileiro e, por isso, a sua importância não é reconhecida. “Em países da Europa, como a Alemanha, já é algo institucionalizado e comum, enquanto aqui ainda não é tão aceita.” 

Por causa da abrangência, os profissionais da gerontologia têm diferentes formações — apesar de existirem  graduações, qualquer interessado em envelhecimento pode fazer uma especialização.

Segundo Ana Cristina Procópio, coordenadora do curso de gerontologia do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, é possível encontrar desde advogados e arquitetos até enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas. “É uma formação multidisciplinar, então exige habilidades como trabalhar bem em equipe, se comunicar e estabelecer relações interpessoais, porque o profissional vai precisar conversar com outras áreas”, explica. 

Quando a campinense Isabela Azevedo Rodrigues, de 25 anos, foi escolher a profissão, ela não teve muitas dúvidas. “Ninguém nasce falando que quer ser gerontólogo, mas quando eu era criança sempre preferi ficar no meio dos idosos nas festas de família. Na época de prestar vestibular, eu estava pensando em fazer fisioterapia quando o meu pai me falou do curso de gerontologia.

Prestei para a Universidade Federal de São Carlos (UFScar), passei e me apaixonei”, afirma. A gerontóloga, que está concluindo um MBA em gestão e administração hospitalar, trabalha há um ano no Residencial Sênior Terça da Serra e a atividade de que mais gosta é a de gerenciamento. “Avaliamos as condições biológicas, psicológicas e sociais do idoso e definimos estratégias, ações de saúde, atividades e a linha de cuidados.”

<span class=”hidden”>–</span>Arte/VOCÊ S/A

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As palavras em inglês que são parte do nosso cotidiano sem a gente notar

O inglês é uma das línguas mais faladas no mundo e já passou a ser um pré-requisito para profissionais que desejam crescer na carreira e pessoas que querem se aventurar em outro país. E se engana que acha que, mesmo morando no Brasil, nós não estamos em contato diário com o idioma.

Algumas palavras e expressões em inglês se encontram tão enraizadas na nossa cultura que, por vezes, no uso cotidiano acabamos nem percebendo que se tratam de palavras estrangeiras.

Por isso, listamos abaixo quatro palavras em inglês mais usadas no nosso dia-a-dia. Confira e depois nos conte quais você costuma usar.

E-mail

Essa palavra surgiu junto com os primórdios da internet e hoje em dia é até estranho usar a expressão “correio eletrônico”, mas o e-mail não é nada mais, nada menos que isso! Outras palavras dessa mesma família, que você usa, mas provavelmente nunca se perguntou de onde surgiram são site e download.

Self-service

Presente em grande quantidade sempre que precisamos comer fora de casa, com certeza você já foi em um restaurante self-service. O termo significa, na verdade, “serviço próprio”, mas não é nada usual em português, assim como o exemplo acima.

Feedback

Todos que estão ativos no mercado de trabalho sabem da importância de um bom feedback a respeito de seu trabalho. E o termo, por sua vez, nem precisa ser traduzido para ser entendido pelos brasileiros, já que consiste na avaliação de uma determinada ação ou projeto.

Check-in

No hotel, pousada, ou aeroporto, a expressão em questão é tão comum que nem mesmo possui uma tradução literal que possa ser citada de forma clara em seu lugar, mas o significado é conhecido por todos: dar entrada em um determinado local.

E não para por aí! Essa é apenas uma lista breve das inúmeras palavras e expressões da língua inglesa usadas por nós com frequência no cotidiano. Por isso, vale a pena sempre estar atendo e pesquisar a respeito desses termos. Ter uma maior familiaridade com o inglês pode ajudar (e muito!) na assimilação dos estudos.

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Como dar um fim na bagunça da caixa de entrada de e-mails e Whatsapp

Metade dos profissionais que saem de férias não consegue se desligar do trabalho – 15% chegam a fazer contatos diários com a equipe via e-mail, mostra um estudo da consultoria Robert Half.

Outra pesquisa da empresa apontou que 38% das pessoas não dão conta de ler todas as mensagens que recebem durante o expediente. “O número de e-mails enviados nem cresceu tanto nos últimos anos, mas as formas de contato, sim”, diz André Miceli, coordenador do MBA de Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro (FGV-RJ).

Meios de comunicação como o Whatsapp e as redes sociais corporativas têm contribuído para aumentar o tempo que cada um dedica a ler conteúdos relacionados ao emprego. Só que, como são ferramentas que estão incorporadas à rotina, não são entendidas como “trabalho”. E esses excessos acabam gerando estresse.

Diante desse cenário, estabelecer um método para lidar com o fluxo grande de informação é fundamental. O professor Sérgio Nery, da Fundação Instituto de Administração (FIA), diz que as duas principais iniciativas são estabelecer horários para verificar as mensagens e ignorar ou excluir o que não for realmente importante para o seu trabalho. “Determinar o tempo que dedicará a essa tarefa ajuda a não ficar olhando a cada segundo se chegou algo novo”, diz ele. Esse cuidado reduz a cobrança interna e faz com que o trabalhador não desvie a atenção da sua atividade principal.

Para Nery, mesmo nas empresas que funcionam 24 horas por dia, é possível incentivar o diálogo franco com o gestor e as equipes para realizar um bom planejamento e manter a vida corporativa sob controle. “Casos urgentes existem, mas, na maioria das vezes, é possível esperar o momento propício para agir ou tomar uma decisão”, afirma.

A psicóloga Maria Cláudia Tardin, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, no Rio de Janeiro (ESPM/RJ), defende que é importante estabelecer limites, em vez de embarcar na ideia de que todos devem estar disponíveis o tempo todo. “O mercado tende a respeitar quem se posiciona e diz que não acessa e-mails à noite, fora do expediente de trabalho ou nos fins de semana”, afirma.

5 táticas de administração das suas caixas de entrada 

Veja o que fazer para lidar melhor com o grande fluxo de mensagens

  1. Fale por e-mail o que for realmente importante e só com quem é necessário, em vez de copiar todo mundo sempre. Isso evita receber várias respostas que só vão lotar sua caixa de entrada e causar ansiedade.
  2. Descadastre-se de newsletters assinadas e marque como spam o que não for do seu interesse profissional (como e-mails marketing, por exemplo).
  3. Habitue-se a montar pastas por assunto no seu e-mail para arquivar mensagens importantes.
  4. Use o calendário e as listas de tarefas disponíveis nos servidores de e-mails para organizar as tarefas do dia e ganhar tempo. Assim, você não envia para si mesmo e-mails com recados, como muita gente faz.
  5. Converse com o gestor ou a equipe sobre a possibilidade de usar o Whatsapp corporativo apenas em casos urgentes. É comum que o envio de mensagens a qualquer hora aconteça por hábito, e não por necessidade.

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Excesso de tecnologia na quarentena cria problemas físicos e emocionais

No isolamento social, a tecnologia se tornou a única forma de continuar a trabalhar, estudar e se relacionar com amigos e parentes, mesmo que a distância. Sem poder sair de casa, até as atividades físicas e as happy hours passaram a ocorrer por meio de telas de celulares ou de computadores. Embora a tecnologia seja útil nessas tarefas, seu uso excessivo pode comprometer o bem-estar físico e a saúde mental. Depois de quase cinco meses de quarentena, o excesso de conectividade já se tornou um problema para muita gente.

A atriz e escritora Gisela de Castro, de 46 anos, é um exemplo. Desde que se isolou com o marido e a filha em seu apartamento no Rio de Janeiro, Gisela passou a fazer várias atividades pelo computador, como trabalhar, assistir a aulas de literatura a distância, fazer exercícios físicos, além de ver lives e filmes para espairecer. Isso sem falar das aulas a distância da filha de 11 anos, que são acompanhadas de perto pela mãe.

Em poucas semanas, o excesso de exposição às telas começou a causar uma série de desconfortos físicos, como dores musculares nos ombros e no pescoço, tendinite e cansaço visual. “Era o tempo todo com muita tela e luz constante nos olhos. Até o entretenimento era virtual. Rapidamente fiquei muito cansada disso tudo”, explica Gisela.

O corpo fala

Segundo especialistas da área da saúde, o cansaço sentido por Gisela é um dos sinais de que o uso da tecnologia passou da conta. Problemas posturais que causam incômodos físicos são um dos primeiros indicativos de que chegou a hora de reduzir a exposição. Dores de cabeça, desconforto nos olhos e dificuldade para dormir são outros sintomas físicos comuns. “Esses problemas são acentuados quando as pessoas não têm um local de trabalho adequado dentro de casa”, afirma a psicóloga Anna Lucia Spear King, fundadora do Laboratório Delete-Detox Digital e Uso Consciente de Tecnologias do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Além disso, o uso exagerado dos dispositivos pode aumentar a ansiedade e favorecer o desenvolvimento ou a progressão de transtornos mentais. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), existe o risco de as pessoas desenvolverem ou intensificarem a nomofobia, que é o medo de ficar desconectado — ou longe do mobile phone, o telefone celular.

Esses problemas são agravados pelo contexto social vivido por grande parte das pessoas. Afinal, além da hiperconectividade, a maioria enfrenta o receio de contrair o novo coronavírus e as preocupações financeiras trazidas pela pandemia. “A somatória de medo, doença e crise econômica gera um quadro angustiante”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Foi esse conjunto de fatores que tirou o equilíbrio do empresário Ricardo Eloi, de 39 anos. Com o surgimento da pandemia, Ricardo se isolou em home office com a família em uma fazenda no interior de São Paulo no dia 20 de março. Então teve início uma fase de uso descontrolado de tecnologia, que causou estresse, insônia e até uma infecção de garganta que se prolongou por dois meses. “Eu cheguei a acordar de madrugada pensando que estava enfartando”, diz.

Para dar conta das demandas profissionais, o tempo gasto em aplicativos de mensagens se multiplicou por quatro no começo da quarentena. O uso era tão intenso que ele precisava carregar o aparelho de telefone três vezes ao dia. Além disso, ele participava de cinco a sete reuniões diárias para tentar lidar com a crise na empresa. Sem hora para comer nem para descansar, sentiu a qualidade de vida cair e o relacionamento com a família esfriar.

<span class=”hidden”>–</span>Getty/Getty Images

Foco e pressão

Uma das explicações para os problemas vividos por Ricardo é que o cérebro humano não foi programado para operar sem o relacionamento presencial. Isso porque mais de 70% da comunicação entre as pessoas ocorre de forma não verbal. Ou seja, é preciso colocar muito mais atenção e dedicação no trabalho a distância.

“O cérebro tem dificuldade de tornar inteligível grande parte das informações que antes absorvia por meio das interações presenciais”, explica o especialista da USP. “A tela exige um hiperfoco e é por isso que as pessoas estão extenuadas.” Além disso, existem mais distrações em casa do que no escritório. Dessa forma, o cérebro faz um esforço muito maior e disso resulta o cansaço.

Segundo Denise Delboni, professora na FGV Eaesp, a grande vantagem do home office deveria ser a autonomia, mas não é bem isso o que está acontecendo. No momento, muitos profissionais não estão conseguindo trabalhar nos horários que mais combinam com seu ritmo biológico, pois precisam estar disponíveis o tempo todo, além de comparecer a reuniões frequentes. “O home office foi desvirtuado agora, e o empregador está pressionando mais os funcionários. Em tempos de crise, estão todos ansiosos”, afirma.

<span class=”hidden”>–</span>Arte/VOCÊ S/A

O que fazer?

Embora o desafio seja grande, existem estratégias que podem ser adotadas para não se perder na hiperconectividade. A principal delas é colocar limites para o uso das telas, estipulando um tempo diário para isso. Evitar ficar no celular ou no computador antes de dormir é outra recomendação importante, já que o excesso de tecnologia pode causar alterações no sono. A luz azul presente nos aparelhos eletrônicos interfere diretamente na produção de melatonina, o hormônio que nos deixa sonolentos. “É comum encontrarmos pacientes com alterações no sono e no ritmo circadiano devido ao excesso de tecnologia”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Além disso, vale criar uma rotina que inclua tempo para a família e para o lazer offline. Leitura de livros, atividades manuais, relaxamento e ioga podem ser grandes aliadas neste momento. Buscar diversão fora das telas foi o que ajudou a atriz e escritora Gisela a superar o mal-estar causado pelo uso exagerado de tecnologia. Preocupada com sua saúde e também com o bem-estar da filha, ela comprou alguns jogos de tabuleiro e retomou o antigo costume de jogar baralho. Além disso, incentivou todos a cozinhar juntos, seja para fazer refeições em família, seja para comer um bolo no fim de semana. E, a partir das 19 horas, as telas precisam ser desligadas — a exceção é colocar música no celular. “Se não achar essas alternativas, a gente vira escrava, porque o celular virou uma extensão do corpo”, diz Gisela. Por isso, ela começou a ler e a escrever mais no papel — algo que a tem ajudado em seu atual projeto, de escrita de um livro infantil.

Interromper o trabalho para se levantar da cadeira, esticar o corpo, tomar água, ir ao banheiro e piscar muitas vezes são estratégias simples que podem fazer a diferença. Não há uma regra que estipule de quanto em quanto tempo deve-se tirar um tempinho para descansar, mas o importante é não se deixar levar por muitas horas no computador.

Outro conselho é evitar fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Se estiver numa reunião virtual no notebook, por exemplo, o ideal é deixar o celular em outro cômodo, segundo Cristiano, da USP. Além disso, ele recomenda que as abas abertas no computador sejam fechadas, assim como as redes sociais, e que as anotações sejam feitas em papel. “Assim o cérebro tem mais condições de decodificar as informações e memorizá-las”, explica o psicólogo.

“Ficar saltando de tela para tela é um erro. Se você fizer isso, o estresse emocional será imenso no fim do dia.” Interromper o trabalho para fazer as refeições também é fundamental — e procure manter todas as refeições: café da manhã, almoço, jantar e pequenos lanches.

<span class=”hidden”>–</span>Arte/VOCÊ S/A

Criando rotinas

O empresário Ricardo fez uma grande revisão da agenda para gerenciar melhor o tempo e se recuperar de sua crise física e emocional. Ele conseguiu ajustar sua semana de trabalho entre segunda e quinta-feira e deixou a sexta-feira e o fim de semana dedicados exclusivamente à família e ao lazer.

Durante o expediente, passou a iniciar as reuniões diariamente às 8 horas e a reservar o horário das 9h30 para tomar o café da manhã. Depois, começa outra maratona de reuniões, que vão até o meio-dia. Às 12h30 ocorre uma nova pausa, dessa vez para o almoço. Em seguida, ele segue trabalhando até as 17 horas. Depois disso, a prioridade são as atividades pessoais e familiares. “Tenho dois filhos, e meu foco à noite é dar atenção a eles”, conta.

Com a mudança, evita ao máximo marcar reuniões às sextas-feiras, pois é nesse dia que começa seu fim de semana prolongado na fazenda. “Praticar atividades físicas e estar em contato com a natureza são válvulas de escape importantes.” Para quem está se sentindo muito mal com a hiperconectividade, pode ser útil procurar ajuda especializada, como um psicólogo ou psiquiatra. “Quando notar alguma alteração em seu estado de saúde mental e em seu comportamento, é importante ter um apoio”, diz Andrea Loss Nunes, doutora em psicologia pela Universidade Estadual do Espírito Santo (Ufes).

Caso contrário, o excesso de estímulos poderá ter consequências graves, mesmo depois que a situação de isolamento social terminar. Isso porque, quando a pandemia passar, as defesas emocionais tenderão a ser “desativadas” e os sentimentos poderão vir à tona todos de uma vez. É nessa hora que muita gente pode entrar em um quadro depressivo ou sofrer outros transtornos mentais. “Colocar em risco a saúde mental pode ser tão ruim quanto pegar o coronavírus”, diz Cristiano Nabuco. Melhor se precaver.


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